Por que Amor no Espectro continua sendo uma série tão revolucionária - Netflix Tudum

  • Entrevista

    Por que Amor no Espectro continua sendo tão revolucionária?

    A série indicada ao Emmy® está de volta com novos participantes e novas jornadas.

    Texto original de Jenny Changnon
    17 de set. de 2026

Encontrar o amor é uma das experiências humanas mais universais, e também uma das que mais geram ansiedade. Poucas produções capturam tão bem essa realidade quanto Amor no Espectro, a série vencedora do Emmy® que acompanha um grupo de adultos no espectro autista em busca de conexão, companheirismo e romance. A série continua encontrando novas maneiras de explorar os altos e baixos do namoro e, na temporada 4, os novos participantes Logan e Dylan se unem ao cocriador, diretor e produtor executivo Cian O’Clery e ao diretor de elenco Sean Bowman. 

Indicada a cinco prêmios Emmy® este ano, incluindo Melhor Reality Não Estruturado, Amor no Espectro continua gerando identificação com o público, acompanhando a jornada de cada participante em busca do amor de uma forma muito intimista. “Temos uma equipe bem pequena, e isso é fundamental. Quando estamos nos espaços das pessoas, não somos aquele grupo invasivo de dez profissionais invadindo as casas. Não usamos iluminação artificial. Procuramos ser discretos para que as pessoas possam simplesmente ser elas mesmas”, explica Cian O’Clery. O resultado é algo raro no mundo dos realities e programas de variedades: uma série ao mesmo tempo reconfortante e emocionante. “Os participantes estão no espectro autista, mas as emoções são universais. Todo mundo sabe como é querer que alguém goste de você”, comenta Sean Bowman. A seguir, Cian O’Clery, Sean Bowman, Dylan Aguilar, Logan Pereira, e Neith, irmã de Logan, refletem sobre a temporada 4, a alegria das novas amizades e o que realmente significa se abrir para o amor.

Como foi perceber o público se conectando cada vez mais com Amor no Espectro ao longo dos anos? Por que vocês acham que as pessoas se identificam tanto com a série?

Cian O’Clery: É muito legal, especialmente porque as pessoas estão curtindo uma série que realmente gira em torno de algo importante. Tem um propósito por trás dela, não é só entretenimento. O objetivo é mostrar essas pessoas sensacionais e ajudar o público a entender o que significa estar no espectro autista e a diversidade desse espectro. A série continua fazendo tanto sucesso graças a Dylan, Logan e o elenco todo. Eles são simplesmente incríveis, e temos a sorte de continuar encontrando pessoas maravilhosas.

Rapaz jovem sorrindo em um quarto, vestindo uma camisa polo azul. Ao fundo, temos bichos de pelúcia, cartazes, uma cama, luminárias e uma janela, criando um ambiente casual e aconchegante.
Homem de óculos e cabelo curto sorrindo, vestindo uma camisa estampada, sentado em uma cama em um quarto aconchegante e com iluminação suave, com um travesseiro amarelo e móveis ao fundo.

Amor no Espectro conta com um grupo extraordinário de participantes de várias origens diferentes. O que vocês procuram na hora de escalar o elenco da série e como garantem que as pessoas escolhidas contem suas próprias histórias de forma autêntica? 

Sean Bowman: O principal aspecto que analisamos é: será que essas pessoas realmente querem encontrar o amor? Depois, tem outros fatores, por exemplo, se elas têm uma personalidade autêntica, se são cativantes, se trazem algo diferente para o grupo. Queremos contar histórias variadas a cada temporada, e a diversidade é importante em todos os sentidos da palavra, inclusive no que diz respeito às necessidades de apoio dentro do espectro. Tentamos contar as histórias dessas pessoas nas palavras delas. Então, quando conhecemos alguém como Logan ou Dylan, ficamos interessados imediatamente no que eles têm a dizer.

Dylan e Logan, vocês dois são novos nesta temporada e conquistaram imediatamente o carinho do público. O que inspirou vocês a participar da série e começar sua jornada no mundo do namoro diante das câmeras? 

Dylan: Entrei na série porque queria conhecer uma pessoa especial e encontrar o amor. Quando me convidaram, pensei que era algo que eu gostaria de fazer. Só queria me divertir e mostrar isso à minha família.

Logan: Recebi um email de Sean perguntando se eu gostaria de participar da série. Respondi que sim porque eu também queria muito encontrar o amor.  

Cian O’Clery: Na indústria da TV, especificamente no universo dos realities, a gente sempre quer que tudo pareça muito autêntico, verdadeiro e real. E, às vezes, não é bem assim. Tem gente por aí que só quer aparecer na TV e acaba fazendo uma espécie de encenação. Mas o que chama a atenção em praticamente todos os participantes desta série é que eles são muito naturais e estão sendo eles mesmos o tempo todo. Eles não mudam quando ligamos as câmeras, não tentam ser outras pessoas, simplesmente são eles mesmos, e isso é muito bacana. Acho que é por isso que o público gosta tanto deles: porque são totalmente genuínos.

Amor no Espectro

Neith, você tem uma relação muito próxima e especial com seu irmão, Logan. Qual foi a sua reação quando soube que ele participaria da série?

Neith: Foi interessante. Uma coisa é conversar e pensar a respeito; outra é quando realmente acontece. Isso de registrar a vida real para o grande público gera um certo receio, acho que surge um instinto natural de proteção. Mas tudo acabou dando muito certo, porque, obviamente, o público recebeu Logan muito bem, e foi ótimo presenciar isso.  

Não gosto muito de me ver na tela. Por isso, geralmente acabo pulando essas partes, mas adoro assistir às cenas do Logan. Eu moro com ele, então já conheço o jeito dele... ele me faz rir o tempo todo, mas é muito divertido ver isso na Netflix, observar como ele também é engraçado para quem está de fora. Quando a gente cresce com alguém assim, é o normal. A gente acaba não dando tanto valor. Mas é legal. É muito bom ver as pessoas realmente gostando do Logan por ser quem ele é.  

Na hora de selecionar o elenco de um reality de namoro, existe, obviamente, a questão da compatibilidade. Até que ponto vocês levam em conta a possível química entre duas pessoas ao fazer a seleção? Ou simplesmente encontram pessoas interessantes e deixam que os namoros se desenrolem naturalmente?

Cian O’Clery: Tudo começa com a escolha do participante principal, e o resto flui a partir daí. A ideia sempre é encontrar uma pessoa incrível, que nos inspire a contar sua história. Mas também tem outros detalhes, por exemplo, se alguém mora em um lugar muito afastado, pode ser mais difícil encontrar pessoas que estejam na mesma sintonia. E é exatamente isso que buscamos: pessoas que estejam na mesma sintonia. Perguntamos a Logan e a Dylan que tipo de pessoas eles querem conhecer e seguimos a partir disso. Depois, tem todo um processo para encontrar pretendentes, que chega a ser até mais difícil. Mas, quando tudo dá certo, é maravilhoso ver o resultado.

Sean Bowman: Primeiro, conversamos muito sobre o que os participantes estão procurando. Então, temos uma espécie de ponto de partida: será que eles vão, pelo menos, ser amigos no final? Esperamos que tenha algo a mais, mas começamos por aí.

Amor no Espectro

Logan e Dylan, como foi a experiência de participar da série? Vocês descobriram algo sobre vocês mesmos ou sobre o namoro nesse processo?  

Dylan: Decidi participar porque queria me divertir. Comecei a assistir à série por causa de Abbey Romeo. Quando conheci Sean e Cian, eles foram muito simpáticos, e me senti confiante. Logan também é um cara legal. Minha mãe adora a série. Ela disse que estou fazendo um bom trabalho. 

Logan: Foi muito bom sair com alguém que não vejo todos os dias. Dividir a comida, cozinhar para ela, comer juntos... tudo isso. Aprendi a tratar as mulheres com respeito e a pagar a conta quando saímos. E aprendi que levo jeito para relacionamentos.

As famílias dos dois participaram da experiência. O que esse apoio significou para vocês?

Dylan: Minha família ficou muito feliz porque eu participei da série. Eles assistiram e ficaram muito orgulhosos de mim.

Logan: O pessoal do trabalho fala que está orgulhoso de mim todos os dias. E minha avó, que faleceu em 2024, provavelmente está me assistindo lá de cima e dizendo: “Logan, que orgulho de você! Fico muito feliz porque você não deixou ninguém ficar no seu caminho”. Que Deus a abençoe.

 

Neith, ao assistir à temporada finalizada, teve algum momento específico que fez você sentir um orgulho especial de Logan?

Neith: Foi muito legal acompanhar a evolução dele, desde o primeiro encontro, quando ele estava supertímido, até o final, quando já estava bem mais solto. Logan é muito comunicativo e fácil de conviver, mas estava bastante tímido no começo. Foi gostoso de ver como ele foi ganhando confiança. Essa foi a parte que me deixou mais orgulhosa.

Cian, a série tem uma linguagem visual muito característica. Qual é a abordagem de vocês para que a fotografia transmita uma sensação de intimidade e seja cinematográfica, mas continue mantendo a impressão de que estamos acompanhando a vida real?

Cian O’Clery: Eu também filmo, então usamos duas câmeras, a do diretor de fotografia e a minha. Isso mantém a equipe bem reduzida. A estética visual é muito importante para mim. Eu amo cinema e acredito que imagens bonitas ajudam a deixar essas histórias com um ar romântico e especial. Também estou sempre procurando locações bonitas, onde possamos filmar sem precisar montar tudo do zero. Tentamos conseguir o melhor visual possível sem interferir no ambiente. É bem raro uma produção não usar iluminação artificial, mas, se chegássemos à casa do Logan e da Neith e começássemos a montar equipamentos de luz e a trazer uma equipe grande, a atmosfera seria completamente diferente.

Neith: É meio estranho ser você mesma diante de um monte de gente, mas nunca tinha uma equipe enorme nem nada desse tipo. Era mais como ter familiares visitando em casa. Ficamos muito à vontade durante as filmagens.

Grande parte da emoção de um reality vem da edição. Como vocês decidem quais momentos manter e quais deixar de fora?

Cian O’Clery: Não temos uma regra nem um método específico. Na verdade, escolhemos as cenas que transmitem a história mais verdadeira. Às vezes, pode ser muito difícil. Essas pessoas são tão incríveis que é complicado fazer cortes. Mas, no fim das contas, é preciso selecionar os elementos mais importantes. A base de tudo é que gostamos dos participantes. Gostamos do Logan, do Dylan e de todos eles. Queremos o melhor para eles. Nossa série não busca drama nem conflito, queremos que o público realmente torça pelas pessoas que aparecem nela. O segundo encontro do Dylan com a Melissa, por exemplo, não conseguimos nem encaixar na série, tivemos que fazer um lançamento separado. Foi algo incrível de assistir. Foi muito bom poder compartilhar esses momentos, porque eles são ótimos, e às vezes simplesmente não sobra espaço.

Dylan: Esse segundo encontro com a Melissa foi minha parte preferida. Nem conseguia acreditar que estava acontecendo, adorei.

O que vocês esperam que o público aprenda com a série e todas essas experiências de namoro diferentes?

Cian O’Clery: Em primeiro lugar, espero que as pessoas entendam que o autismo é muito diverso, não podemos tirar conclusões precipitadas sobre alguém só porque essa pessoa está no espectro autista. Além disso, as pessoas que filmamos são gentis, simpáticas e se importam com o próximo. É muito legal criar um tipo de conteúdo que realmente promove a gentileza. Sei que pode parecer meio brega dizer isso, mas acho que esse é um ponto forte da série, graças às pessoas que participam dela.

Sean Bowman: Os participantes estão no espectro autista, mas as emoções são universais. Todo mundo sabe como é querer que alguém goste de você ou aquele nervosismo antes do primeiro encontro. São coisas que todo mundo sente. Então, qualquer pessoa que quiser encontrar o amor, pode conseguir.  

Logan: Minha avó e minha mãe me mostraram a versão australiana da série, e eu assisti várias vezes. Resolvi participar porque também queria fazer novas amizades, não só encontrar o amor. 

Sean Bowman: Outra coisa muito legal é que nós e os participantes acabamos criando uma espécie de família dentro do nosso grupo. Então, agora somos todos muito amigos, praticamente uma família mesmo.

Última pergunta: Dylan e Logan, vocês gostariam de compartilhar algum conselho de namoro, baseado na experiência de vocês?

Dylan: Seja você mesmo, seja gentil e não desista.

Logan: Trate bem a sua namorada, e ela vai retribuir da mesma forma.

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