



Charles Melton e Lee Sung-jin, criador de Treta, estavam em ótimos momentos de suas carreiras quando se conheceram. Sung-jin tinha acabado de lançar a primeira temporada de sua série antológica de sucesso, Treta, que posteriormente ganharia oito Emmys®, e foi convidado para participar de um jantar em homenagem a Charles por sua atuação em Segredos de um Escândalo, pelo qual o ator recebeu indicações para o Gotham Award e Globo de Ouro.
O criador, roteirista, diretor, showrunner e produtor executivo se esforçou para conseguir falar pessoalmente com o astro. “Pedi para deixarem eu sentar do lado dele porque queria falar da temporada 2”, conta Sung-jin. Ele disse a Charles, que já era fã da primeira temporada da antologia, que estava escrevendo a nova temporada pensando especificamente nele. “Honestamente, eu nem conseguia acreditar. Só confiei no meu instinto de que seria incrível”, relembra Charles. Os momentos inacreditáveis continuaram, com o astro recebendo suas primeiras indicações ao Emmy® de Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie e de Produção Executiva da série.

A temporada 2 de Treta conta a história de dois casais em busca de validação que trabalham em um clube exclusivo para famílias ricas na cidade de Montecito. O casal mais jovem e geração Z, Austin (Charles) e Ashley (Cailee Spaeny), testemunha um incidente violento entre os millenials Josh (Oscar Isaac) e Lindsay (Carey Mulligan). Austin e Ashley tentam tirar vantagem profissional da situação chantageando Josh, que é o gerente do clube. Uma batalha caótica começa, como é de costume no universo de Treta, mexendo com as percepções que os recém-noivos têm deles mesmos. De acordo com Sung-jin, “Quando conhecemos os dois, eles são jogados nessa intersecção com o casal millenial e o relacionamento deles é testado pela primeira vez”.
Para o criador, parte do DNA de Treta é a discussão sobre a diáspora asiático-americana, e ele sentiu que Austin abriria espaço para um novo olhar na temporada 2. “Uma coisa que não conseguimos explorar na temporada 1 foi um personagem que fosse metade coreano. Essa questão me pareceu muito madura, muito fértil. Era uma parte da experiência coreana que eu nunca tinha visto, principalmente este cabo-de-guerra na identidade de um personagem”, explica Sung-jin.
Austin foi um astro do futebol americano na faculdade, mas teve a carreira arruinada por uma lesão. Agora, ele trabalha em meio período no Monte Vista Point Country Club para ficar perto de Ashley e atende clientes ocasionais em seu novo negócio como personal trainer. Se, por um lado, a carreira de Ashley no clube está evoluindo e a fase de lua-de-mel do casal está acabando, por outro, Austin tem problemas para se encontrar. “Ele anda nessa linha tênue entre ser codependente e tentar fazer a coisa certa enquanto vai descobrindo diferentes lados da parceira. Ele está percebendo que a sua identidade tem sido uma máscara. Um ex-jogador de futebol americano, muito social, que ama treinar e sempre faz o que é bom, mesmo que não seja o certo para ele. Está sempre pensando nos outros. Essa máscara vai caindo ao longo da temporada”, explica Charles.
O ator, que conquistou o público pela primeira vez com as seis temporadas de Riverdale, tem crescido exponencialmente: trabalhou com autores visionários como Todd Haynes (Segredos de um Escândalo), Alex Garland (Tempo de Guerra), Nicolas Winding Refn (Seu Inferno Particular) e Greg Kwedar (em Saturn Return, ainda não lançado). Para ele, Sung-jin está entre esses visionários: “É muito surreal trabalhar com Lee Sung-jin, que, para mim, é um dos maiores artistas e cineastas”, exalta Charles.

Sua admiração e confiança em Sung-jin levaram a uma colaboração muito próxima, e o astro foi capaz de se aprofundar no personagem como nunca fez antes. “Eu nunca me senti tão exposto em um trabalho, e acho que isso é bom”, revela o ator. Muitos momentos engraçados e desoladores da temporada vêm de Austin, tentando entender o que ele pode oferecer à parceira e o que precisa que ela ofereça. E descobre um novo lado de sua identidade coreano-americana quando passa mais tempo com a nova proprietária do clube, senhora Park (Youn Yuh-jung, indicada ao Emmy®), e sua assistente, Eunice (Seoyeon Jang), ambas da Coreia.
Encontrar o equilíbrio entre os momentos engraçados e trágicos da antologia foi um exercício particular para Charles. No primeiro episódio da temporada, Austin está trabalhando em casa quando percebe uma abelha morrendo no chão. Ele corre para salvá-la, mas é tarde demais. O ator comenta: “Agora eu dou risada da cena, mas não foi assim durante a filmagem. Vemos Austin querendo servir, querendo ser útil e estar lá para Ashley, ou para qualquer outra coisa na vida, e ele não consegue nem mesmo salvar essa abelha”. Para Sung-jin, o cuidado que Charles teve com Austin trouxe uma nuance indescritível para um personagem que ele queria tornar mais profundo do que um noivo ingênuo e dedicado sem nenhuma ambição: “O que aconteceu, e isso só mostra o tipo de ator que Charles é e o quanto ele compreendeu Austin e queria protegê-lo, é que esses momentos não foram interpretados pensando em gerar humor. Ele atuou de forma realista”, comenta o criador.

“O que Sung-jin faz de melhor é misturar comédia e drama; o humor está no contexto e nas circunstâncias. A gente vê essas pessoas, que são tão reais, acreditarem com convicção no que está acontecendo no momento. Como público, é maravilhoso de assistir”, comenta o ator. Ele acredita que a complexidade emocional é o que torna Treta tão singular e acrescenta: “Em geral, Treta se apoia na verdade nua e crua e na vergonha alheia, e mostra a realidade. É muito humano”.
Gravar os últimos episódios da temporada na Coreia foi, ao mesmo tempo, um marco em sua vida profissional e uma volta para casa, já que Charles passou cinco anos de sua infância no país. “Foi muito especial para mim poder ver toda a minha família coreana e levar todo mundo para conhecer os sets. Foi muito especial fazer esse tipo de arte, esse tipo de atuação que eu sempre quis fazer”, compartilha.
























































